O que você acha de reaproveitar impressões erradas, utilizando o verso da folha, como rascunho?

É, ao mesmo tempo, uma grande ideia e um desperdício. Vejamos o seguinte caso:

Uma organização dispensava folhas com impressões erradas no lixo. Como não havia coleta seletiva, estas folhas eram integralmente desperdiçadas.

Certo dia, um funcionário sugeriu que estas folhas tivessem os versos aproveitados como rascunhos. Ideia ótima!! E assim foi feito, agora protegiam ao meio ambiente.

Algum tempo depois, os colaboradores perceberam que estas folhas poderiam ser ainda melhor aproveitadas, cortando-as em 4 partes. E foi feito!! Assim, uma mesma folha passou a atender a quatro vezes mais pessoas!!! Ganho absurdo de eficiência.

Passados alguns meses, alguém sugeriu que se as folhas cortadas em 4 partes fossem grampeadas, formando um bloquinho, ficaria mais fácil armazená-las e manipulá-las. Perfeito!! Mais uma melhoria.

Como agora as folhas tinham que ser recortadas e grampeadas e nem todo mundo tinha tempo para fazer estas tarefas, em pouco tempo as folhas inteiras com erros de impressão começaram a acumular próximo à impressora. Algumas amassavam, outras dobravam ou rasgavam e não poderiam mais integrar os bloquinhos, que pena! 😦

Como o descarte e acúmulo de folhas só aumentava, o chefe da organização designou uma pessoa para cuidar da atividade. Agora sim, tudo funcionava bem.

Essa pessoa, extremamente capaz e cheia de iniciativa, passados alguns meses, fez alguns orçamentos em gráficas e, desde então, quando a caixa de papelão deixada ao lado da impressora fica lotada com impressões erradas, ela sai mais cedo do trabalho e, antes de seguir para casa, leva em seu carro a caixa para uma gráfica no bairro vizinho, onde as folhas são cortadas milimetricamente do mesmo tamanho por uma máquina moderna e os bloquinhos colados.

Percebam que os bloquinhos feitos na gráfica são o resultado de um processo que consome tempo, energia e pagamento pelo serviço. Gradativamente esta atividade foi ganhando mais atenção e a organização se transformou também em uma fábrica de bloquinhos de papel, o que não faz parte do seu objetivo. Qualquer esforço empreendido nesta atividade não acrescenta valor aos clientes, logo é um desperdício. É uma armadilha para roubar recursos.

Antes de melhorar um processo, questione se realmente ele deve continuar existindo.

No caso dos bloquinhos, os seguintes questionamentos deveriam ter sido feitos:

É realmente necessário imprimir documentos?

Em tempos de nuvem de arquivos, assinaturas e certificados digitais, pagamentos online, aplicativos nos dispositivos móveis, trabalho remoto e outras facilidades tecnológicas, a impressão de um documento pode ser apenas um hábito, não uma necessidade. São comuns casos de organizações que sempre trabalharam com papel impresso e, ao implantarem sistemas informatizados, passaram a manter (por favor não ria) os mesmos documentos no ambiente digital e físico, simultaneamente.

Por que não acertou a impressão da primeira vez?

Pode parecer óbvio, ninguém quer errar, mas pequenas desatenções na finalização ou impressão do documento ou a não utilização das ferramentas dos editores de texto (estilos de parágrafos, verificação de ortografia etc) é que acarretam os erros. E lá se foram três ou quatro folhas desperdiçadas, além da tinta/tôner, energia elétrica, tempo reimprimindo e consertando o erro.

Sempre questione!

Renan Couto e Vanessa Evangelista – 07/06/2017

Ao citar esta obra, utilize a seguinte referência (segundo NBR 6023:2002): COUTO, Renan Evangelista; EVANGELISTA, Vanessa Maia de Amorim. Repense as boas intenções. NUGOJ – Leitura. Disponível em <https://nugoj.org/leitura>. Acesso em: dd.mmm.aaaa.